Gravidinha

large (1)Engraçado como a maioria das pessoas escrevem melhor quando estão tristes e eu só consigo escrever quando estou realmente de boa com a vida. Que toda gestação é única todos já estão cansados de saber, mas acredito que em todas as experiencias há algo que todas que ja tivemos o privilégio de estar gravidinhas já passamos. Vou falar um pouco da minha gestação pra vocês.

O começo: tudo é muito assustador, pais de primeira viagem, adultos jovens. A primeira coisa que vem a mente é E AGORA? Como faremos? E nossos trabalhos? Faculdade? Vida Social? Planos para o futuro próximo? Essas são só algumas das questões que vem em nossas mentes quando não planejamos um filho. Dias e noites pensando em todas as coisas que eu teria que abrir mão e na reação de todas as pessoas que são importantes para mim. Tem um HUMANO se formando dentro de mim e eu não sei se estou preparada pra isso, não sei se estou disposta a abrir mão da minha “liberdade” pra me dedicar em tempo integral a uma outra pessoa.

Hoje eu posso dizer que eu tive quase todos os sintomas de uma gravidez padrão, mas lembro que na época tudo tinha uma desculpa mais plausível. Tive enjoos. Meu corpo, que antes mais parecia de uma tripa seca, começou a ganhar novas curvas. Indisposição 24h por dia, eu podia dormir uma semana inteira que ainda sim me sentia cansada. E tudo isso eu botava a culpa em outras coisas, gastrite, verme, falta de academia, comendo besteira demasiadamente. Denise você ta grávida? EEEEU?! Eu mesmo não! Porém sim. Não era possível, Bruno não acreditava ser possível também, todas as desculpas que pensávamos pareciam ser mais coerentes do que uma gestação, até o dia em que resolvemos por um fim nas dúvidas e então vieram os testes.

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Os testes: dois testes de farmácia e um Beta HCG não eram o suficiente para nós dois. Marcamos uma consulta a uma ginecologista, precisávamos ouvir dela. A consulta foi meio estranha, sentados lado a lado em uma recepção não muito grande, esperando a nossa vez, não sei descrever quem tava mais nervoso. Outros casais nos circundavam e nenhum deles pareciam ter na cabeça as mesmas dúvidas que tínhamos. Todos pareciam ser bem mais velhos e mais resolvidos que nós dois, e apesar de ja ter 22 anos e Bruno estar beirando os 30 nos sentíamos como dois adolescentes.

Nossa vez! – Dra., estamos com suspeita de estarmos grávidos. – Nunca fui muito boa em prestar atenção nas mudanças do meu corpo, nessas que envolvem menstruação e tudo mais pior ainda, não conseguia responder direito a nenhuma das perguntas dela. Fizemos um toque, e gente vou dizer uma coisa, que coisinha mais desconfortável. Ela riu da gente e perguntou se ainda tínhamos alguma dúvida, era mais do que evidente, um bebe vinha por ai. Por incrível que pareca a ficha ainda não tinha caído, esse dia tava sendo meio louco pra nos dois. Ela nos encaminhou pra outro consultório, dessa vez um de imagens. O cenário era o mesmo, pessoas grávidas pra todo lado. Acredito que não tenha demorado tanto, mas uma eternidade nos pareceu. Sentar naquela cadeira pela primeira vez foi uma sensação estranha, hoje eu me lembro como um passado bem distante, mas não se passaram nem 3 meses. Tudo aquilo era muito novo para nos dois, e eu olhava pro Bruno e via o nervosismo estampado no rosto dele, o meu não devia estar muito diferente.

Parecia um filme, desses de comedia romântica que fala sobre gravidez. Um consultório grande, cheio de aparelhos e monitores. Uma decoração branda e nada intimista. Uma cadeira parecida com a de dentista e outra para o acompanhante. Camisa para cima e gelzinho gelado na barriga, começou o exame. Minhas mãos tremiam e eu não entendia nada do que tava parecendo na tv, até que… Surprise! Estávamos grávidos de 15 semanas, e isso quer dizer que ja tínhamos um bebe completo dentro de mim, o médico pegou ótimos ângulos, conseguimos ver seu rosto, sua barriguinha, inclusive tem um que ele ta dando tchauzinho. Mas foi quando ele nos colocou pra ouvir a batida do coração que eu não me aguentei. Meu Deus que emoção, não consigo me lembrar de um dia como aquele. Lagrimas escorriam pelo meu rosto sem sombras de dúvida e todas aquelas questões que eu citei a cima simplesmente desapareceram, era lindo, e bastou olhar pro Bruno pra saber que ele partilhava dessa mesma emoção comigo. Eu não saberia explicar ao certo como eu me senti naquele dia, minha cabeça formigava com tantas coisas que eu pensava ao mesmo tempo, não conseguia organizar as ideias, era turbulento e eu precisava de calmaria pra poder pensar por mim mesma de novo.

ultraSom

Internação: Não durou muito, sabíamos que nossas vidas tomariam um rumo completamente diferente a partir de então, mas nunca poderíamos prever que nos levaria até aqui. Algumas noites após a nossa primeira ultra-som acordei no meio da noite e pensei que tinha feito xixi na cama, acordei o Bruno, não sabia o que tava acontecendo, e devido a nossa falta de experiencia não sabíamos o que fazer, decidimos esperar até a manhã seguinte pra irmos ao médico. BAM! Primeira porrada. Minha bolsa tinha se rompido, aquilo era liquido amniótico que estava vazando, e pela imaturidade do nosso bebe era quase certeza que ele não iria sobreviver. Oligoidramnio acentuado/severo, uma palavrinha difícil mas que eu nunca mais vou esquecer na minha vida. Em outro post falarei melhor sobre isso.

E foi no dia 28 de Agosto de 2014 que nossa jornada hospitalar começou, desde então estamos morando literalmente dentro de um quarto de hospital, gracas ao meu bom Deus temos pessoas que nos ajudaram muito com tudo que temos passado, e a essas pessoas nós devemos a nossa vida, nunca nos esqueceremos. Há dias ruins, mas a maioria deles são bons e alguns chegam a ser espetaculares. Hoje eu to com 26 semanas e 6 dias e todos os dias faco ultra-som pra saber se meu bebe, que aliás ainda não sabemos se é menino ou menina, está bem. E mais uma vez gracas a Deus ele tem se saído muito bem, com um pouco mais de 1 kilo, apesar de tudo indicar o oposto, ele tem se desenvolvido muito bem.

Sabemos que nossa batalha ainda não esta no fim, e que o bebe vai precisar muito da nossa ajuda depois que nascer, mas com certeza ja trilhamos um longo caminho e passamos por obstáculos que médico nenhum consegue acreditar. Nosso bebe vai nascer prematuro e não vai tardar muito, ja estamos na expectativa desse dia chegar. Mas sabemos que assim como ele foi forte pra sobreviver até aqui com tantos obstáculos, temos certeza que ele vai tirar de letra esse tempo na incubadora.

O post foi completamente pessoal, e ficou enoooorme, também sei que não da pra tirar uma base do que seria uma gestação normal, mas falar um pouco sobre como foi chegar até aqui foi bom pra mim. Vimos como o sistema de saúde funciona em Manaus, mesmo em hospitais particulares existem diversos absurdos que não deveriam existir. Num outro post falarei sobre o que é o oligohidrâmnio e esse eu sei que ajudará muita gente.

bjs e até o proximo post :** da gravidinha mais feliz do mundo.

3 comentários sobre “Gravidinha

  1. Pingback: Não basta ser mãe, tem que viver uma emoção a cada dia! | Curtindo a Vida a Três

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