OS HOMENS DA MINHA VIDA por ELAINE JERÔNIMO

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Essa semana é dedicada aos pais, então aqui não poderia ser diferente. E como neste blog eu comento sobre o que aprendo/aprendi com as pessoas, decidi falar sobre três homens muito importantes na minha vida: meu pai, meu avô e meu marido. Bem, nesse quesito só tive sorte na vida e estive/estou rodeada por homens que souberam/sabem ser pais de verdade.

Primeiramente, peço vênia para falar sobre o meu pai. Meu pai sempre foi meu principal incentivador, é meu porto seguro, jamais se mostrou de outra forma com os filhos. Não é dado muito a abraços e demonstrações públicas de afeto, mas em particular é muito atencioso e protetor conosco. Nem eu nem meus irmãos temos do que reclamar do nosso pai (“presta atenção que eu só vou falar uma vez!” rsrs), que superou barreiras quase intransponíveis para nos dar o conforto que hoje temos. Obrigada, pai. Por tudo.

Depois do meu pai, o segundo homem que me encantou foi meu avô, o saudoso José Bustamante, o Sr. Zezé. Meu avô era pisciano como eu. Costumávamos festejar nossos aniversários juntos, já que faço aniversário dia 03 e ele fazia dia 04 de março. Porém, diferente de mim, vovô era um típico pisciano, sabia amar e ser amado. Só tenho lembranças boas do meu avô e dos boizinhos de miolo de pão que ele fazia para a gente comer. Tive a oportunidade de ajudar meus familiares a cuidar do meu avô até o seu último dia. Obrigada Deus, por isso também.

Por último, mas não menos importante, quero falar do pai dos meus filhos, do meu marido Luiz Júnior. O Luiz, da mesma forma que a Maria Fernanda, foi sonhado e planejado. Tudo ocorreu a contento dos meus sogros no nascimento do “Júnior”, que por coincidência nasceu em pleno domingo de dia dos pais, no dia 08 de agosto. Como sabem, sou casada há 11 anos com o Luiz Jr, sou mãe do Luiz Felipe de 7 anos e da Maria Fernanda de 1 aninho. Eu e meu marido crescemos e estamos amadurecendo juntos. Quando me apaixonei pelo Luiz eu já o achava “o cara”, mas mal poderia imaginar que o melhor ainda estava por vir. É simplesmente lindo ver a forma como o Lu é apaixonado pelos filhos, sem dúvidas uma das partes mais bela dele. Os olhos do Luiz brilham quando ele fala de cada conquista do Luiz Felipe da Mana. Confesso que me apaixonei mais pelo Luiz a partir do momento em que ele foi pai e me apaixono cada vez mais por ele a cada gesto de carinho, cuidado e atenção com as crianças.

Com estes homens aprendi que ser pai é estar presente, é cuidar e se interessar pelo cotidiano dos filhos, é ir além da mantença e estreitar os lanços mais profundos de amor e gratidão. Então, é isso gente. Um feliz dia dos pais a todos os pais de verdade.

INTUIÇÃO MATERNA por ELAINE JERÔNIMO

Intuição materna

Intuição, do latim intuitione, que significa olhar para dentro. Sei que muitos não acreditam nessas coisas e julgam ser apenas bobagens de sexto sentido e blábláblá, mas eu acredito muito em intuição, principalmente em intuição materna.

Intuição para mim tem muito de acreditar nas próprias decisões, acreditar que você tem potencial para tomar as decisões certas, mesmo que outros digam que não. Intuir na minha ótica é acreditar no que diz o eu, é confiar em si mesma. Assim, a intuição materna tem muito disso, de tomar boas decisões para os seus filhos e para a vida deles. Não raros são os casos onde a intuição materna obteve sucesso. Eu mesma, conheço vários (afinal, a gente sabe quando se trata de choro de birra e quando se trata de choro de dor, não é mesmo?), mas aqui vou contar o mais recente que presenciei que é o caso de uma sobrinha da minha irmã. A bebê nasceu portando uma síndrome pouco conhecida entre o público em geral e pelos médicos da cidade de Manaus. O fato da síndrome ser quase desconhecida gerou uma série de laudos errados ou sem conclusão alguma, o que deixava o coração da sua mãe muito apertado e aflito. Foram várias as internações da bebê desde cedo, não foi fácil. Ninguém tinha uma resposta para a doença daquela neném. Era angustiante, muitos pensavam que aquela vidinha não duraria muito tempo. Nesse intervalo, como mencionei, foram vários os laudos errados, remédios prescritos sem necessidade, enfim, muito sofrimento. Mas não contavam com a astúcia da mãe da garotinha, que foi e está sendo muito valente e só se conformou quando finalmente encontrou uma resposta para as suas dúvidas, que não sossegou enquanto não tivesse um diagnóstico realmente plausível sobre o mal que atingia a sua filha e o seu coração de mãe. Ou seja, essa mãe acreditou no que o coração dela dizia sobre a filha, não desistiu da sua bebê e foi em busca de respostas e as encontrou.

Meu avô sempre dizia uma frase que eu costumo repetir “conselho de mulher é pouco, mas quem o perde é louco”, e tem tudo a ver com intuição. A mulher (e principalmente a mãe J) geralmente é marcada pela a capacidade de perceber e pressentir uma explicação independentemente de qualquer raciocínio ou análise. Não que não existam homens assim, óbvio que não, mas pelo menos das pessoas mais sensitivas que conheço, 90% são mulheres. E desse universo de mulheres sensitivas, certeza de a maioria deve ser pisciana (até por acreditar nisso). Assim, intuir é antes de tudo, olhar para dentro de si para se chegar a uma determinada conclusão, ou seja, seria uma intuição cartesiana ma non troppo (será?). Por essa razão, acredito que intuição materna não é somente uma coisa mágica que se você for contra vai dar errado ( e depois  ter que ouvir “não te disse?”), mas é o resultado do convívio e da relação de amor que se estabelece entre mãe e filho. É como diz a música do Leitão, da Turma do Ursinho Pooh (Puff, no meu tempo), “a intuição materna tem sempre a solução, como uma lanterna que mostra a direção”

AMAMENTAÇÃO NA PREMATURIDADE | O LEITE DA MINHA FILHA

Newborn baby breastfeeding.

Não, não é aquele projeto do governo, hehehe. Na verdade eu vim falar de algo sério e ao mesmo tempo fazer uma confissão. Vira e mexe surgem campanhas na cidade, na televisão, na internet sobre aleitamento materno e sua importância, mas confesso que antes de ser mãe pouca atenção eu dava a isso. Acontece que infelizmente é um assunto muito cheio de tabu e crenças, os mais antigos acreditavam que o leite materno não era o suficiente para o desenvolvimento da criança e muito cedo acontecia o desmame, o que segundo os nutricionistas e médicos especializados é extremamente errado, já que o leite materno é completo e nele contem exatamente TUDO que o recém nascido precisa pra crescer forte e saudável. Além de ser essencial a criança também traz muitos benefícios a mamãe, e isso eu não sabia, mas amamentar reduz o risco de vários problemas sérios pra mulher como câncer de mama e de ovário, assim como queima calorias mais rápido e ajuda na recuperação pós parto ( sendo ele cesárea ou normal ).

Eu como mãe de prematura ainda não tive essa chance, ando contando os dias, as horas e os minutos pra esse dia chegar, o que eu costumava a ver como algo estranho, hoje vejo como o ato mais lindo do mundo. Não sei se sou eu ou as coisas tendem a ser meio loucas comigo, mas a minha experiencia de primeiro contato com esse mundo foi bem maluca, deixa eu ver se consigo explicar.

Depois que a Luna nasceu e eu estava me recuperando no apartamento, quando uma senhora responsável pelo “cantinho do leite” do hospital foi me visitar, me perguntou se eu ja estava produzindo leite, na minha inocência disse que não porém estava errada, eu já produzia algo meio pegajoso e amarelado que só depois fui descobrir que se chamava colostro. A senhora me orientou intimou a descer pra “ordenhar” o leite que seria dado a minha filha. Sério, eu tinha acabado de subir de uma cirurgia de risco, eu não conseguia nem pensar, quanto mais ir andando até o cantinho do leite pra “ORDENHAR” o que quer que fosse, nesse dia eu me senti meio perseguida, por onde eu passava alguém me mandava ir pro tal cantinho do leite, chegavam a fazer terror psicológico comigo dizendo que minha filha ia passar fome se eu não fosse colher leite pra ela. Quando cheguei ao tal lugar, mais uma vez com idéias muito erradas na minha cabeça, achei o lugar muito estranho, varias mulheres semi nuas espremendo os seios e derramando o leite em vidros, de fato me lembrou a ordenha das vacas. Foi muito difícil pra mim me acostumar com a ideia, é lógico que eu sabia que não iriam deixar minha filha com fome, e logo procurei saber o que iriam dar pra substituir. Nada substitui o leite materno, mas existe no mercado Formulas Lácteas que ajudam em cada fase do bebe, a que usariam com a Luna é uma específica para prematuros que custa beeem caro, o que ja explica em parte a perseguição para as mães irem ao banco de leite.

Tudo isso meio que se tornou um drama na minha vida, eu não tinha leite suficiente pra todas as refeições dela, e todo dia aumentava alguns ml’s, como eu sabia que a fórmula seria oferecida como dieta, não me preocupava tanto. Até o dia em que ela começou a rejeitar e vomitar. O estado da Luna na UTI Semi Intensiva é estável, agora ela só precisa ganhar peso, porém a rejeição dela a fórmula láctea tava atrasando isso, já que ao invés de ganhar peso ela estava perdendo. Foi aí que tudo passou a fazer mais sentido pra mim, o meu leite era o melhor que eu podia fazer pela minha filha. Entrei numa pilha de que eu pouco podia fazer por ela e o pouco que eu podia, no caso tirar o leite, não era o suficiente, fui pra casa arrasada e inconsolável e mais uma vez Bruno teve que ser paciente comigo e me acalmar. Essa é uma verdade universal, não adianta ficar se lamentando nem se martirizando com certos problemas, o importante é ir atrás das soluções. Ao conversar com o médico a respeito da dificuldade ele me receitou um remedinho que eu deveria tomar 3 vezes ao dia e a minha produção de leite aumentaria, e foi aí que minha maratona pró lactação começou.

Minha dieta é toda dividia em o que dá leite e o que não dá, suco de uva, caldo de galinha, banana, água inglesa… são só alguns dos alimentos adotados por mim na busca de produzir leite. E olha ta dando certo, não sei dizer bem o que que ta fazendo funcionar, mas tá funcionando. Ainda não produzo o suficiente pra todas as refeições, mas consigo pra maioria delas, e isso já é um grande progresso, sempre me dizem que quando ela começar a mamar diretamente no seio isso vai mudar. Hoje ela ta pensando 1,610kg e quando ela atingir a marca dos 1,700kg ja poderei coloca-la em meus seios, e daí pra casa é um pulo, não vejo a hora de isso acontecer.

Eu acho que existe pouca informação circulando sobre aleitamento materno, deveria existir mais campanhas com incentivo e esclarecimento. Muitas mulheres mesmo depois do desmame dos filhos continuam produzindo leite, leite que poderia ser doado em qualquer maternidade da cidade e ajudaria muitas crianças. Infelizmente existe muito tabu em relação a isso, as pessoas são preconceituosas e encaram isso como algo anormal, o que deveria ser completamente comum. Aqui em Manaus teve uma mulher que doou 34 litros de leite humano em 4 meses de campanha, e isso ajudou no desenvolvimento de varias crianças na UTI que por algum motivo não puderam ter de suas mães, diferente daquela mulher que foi zoada pelo Danilo Gentili, que inclusive nem quero comentar pra não dar ibope a babaquisse desse homem, a de Manaus foi homenageada pela Semsa. Talvez falte uma campanha publicitaria mais pesada pra amadurecer a ideia e a importância desse ato de solidariedade na mente das pessoas.